terça-feira, 1 de setembro de 2015

quinta-feira, 29 de abril de 2010

eu quero


(poesia)

porque quero uma vida só minha
em que dedos em riste, abusados
apenas apontem para o outro lado
que queira e possa abusar da gula
e que os manuais e as dietas, mágicos
não passem do portão
quero andar pelado pelo quintal, e
dizer poemas de gente interessante
dormir com todas as luzes apagadas
levantar sem a certeza de que clareou
traduzir espontaneamente o desejo e,
sem os grilhões existenciais que escraviza
não adorar a qualquer divindade, nunca, pois
jurar que a natureza saiba o que faz sempre
acreditar que quem tenha 32 dentes
possa causar suspeição entre os iguais
que meus amigos possam me amar sem me ver
que tire onda por ai igual gandaia
sem deslize é um universo particular
onde ninguém olha, tampouco se espelha
ter um pássaro majestoso que pode sumir
me representando na foto na maior
não me utilizar de subterfúgios idiotas
para me atirar nem ai na lombra, funesto
que até pareça exótico, se é que me entende
achar que Drummond, Neruda, ou Rosseuau
narraram a mesma epopéia com intuito diverso
respirar a maresia quando acham que alga incomoda
poder ler tal actinomante os destinos das criaturas
e reverberar incógnito pelas veredas da vida
e não parecer que está enchendo lingüiça
como inadivertidamente se diz por ai
que saia de cena como entrei, sem delonga
desejando que amanhã outro dia apareça.

Dedicatória: dedicado a leitores do saite

Publicado em 06/03/2010 03:19:35 - 15 leituras



Ainda não leia meu nome

(poesia)

Sou o sereno que molha a grama
alumiada pela lua nova, ou cheia
a bebida que embriaga o noctivago
em devaneios estúpidos, etílicos
não, ainda não leia meu nome
que talvez não se encontre no rodapé
nem em nenhum outro referencial
quem sabe dê nome a alguma rua
ou diria uma lápide fria qualquer
sou a brisa morna das manhãs de verão
a chuva ácida que tempera o solo
a água sem oxigênio que corre no rio
o excremento do animal jovem, adulto
mas, ainda não leia meu nome
pois estou há alguns graus a bombordo
e não mais o escrevo em papel
tampouco assino com garatuja indescritível
sou a idéia que se perde em aforismos
ecléticos que não dizem nada e dai
sou a frase sem acento e sem sentido
o poema sem rima que teima em ser livre
dentro dessa métrica absurda de fim de noite
entretanto, ainda não leia meu nome
porque não me reconheceria mesmo que estivesse
diante de si, com meu chapéu sujo e descorado
meu jeito maltrapilho e deselegante da roça
meu hálito desagradável das manhãs, por tudo
isso devo dizer-lhe que meu nome não tem
nenhuma importância hora dessas.




Dedicatória: dedicado a leitores do saite

Publicado em 16/02/2010 22:58:04 - 103 leituras



dançar conforme a música


(artigo)

A colaboração dos autores para esse saite é uma atitude super democrática, já que temos um histórico esdrúxulo de lermos pouco, então qualquer iniciativa que nos mova por esse caminho é pra lá de louvável. Claro que o saite nos orienta a mandarmos nossas escritos o mais organizado possível, mas vira e mexe nos deparamos com alguém que comeu bola sem a tal auto avaliação e joga um produto rudimentar, tosco e até com cara de inacabado, pois bem estou longe de ser um escritor, pelo menos nos moldes dos que vejo no saite, são organizadíssimos e me fazem parecer mais amador ainda, portanto antes de me boicotarem tentem entender o amadorismo que impera nesse escriba que vos tecla e, sinceramente, obrigado por me lerem e emitirem suas opiniões.

Dedicatória: dedicado a leitores do saite

Publicado em 31/01/2010 13:52:23 - 110 leituras

As flores murcham e viram adubo


(poesia)


O que dizer se a vida não são só flores
se os destinos se cruzem numa boa
e nem todos resultam em amores
alguns, até cruzamos a toa

passamos pela vida como descemos um tubo
a existência é como pegar uma onda
mas longe do mar, sob o chão, viramos adubo
e tanto papo furado, tanto caô, tanta milonga

o poema é ruim, soa mal aos ouvidos
como versos de uma trágica canção
com rifs, dó, ré, mi, fá e sustenidos
um verdadeiro desafio à falta de inspiração

Uma folha de papel solta na ventania
uma curtição na introspecção amarga
literalmente, um leão abatido a cada dia
ou o lombo calejado para assentar outra carga.

Dedicatória: dedicado a leitores do saite

Publicado em 24/01/2010 02:41:31 - 133 leituras

chutar o pau da barraca


(prosa poética)

andar, como quem anda sem rumo

sentir, como quem sente a brisa que vem do mar

equilibrar, como quem precisa de prumo

vá, como quem tenta e precisa chegar

soe, como quem precise de renovo

buzine, como quem deve ser ouvido

zombe das desgraças, como quem não está nem ai

rasgue páginas virtuais, como quem destrói a utopia

chore lágrimas de crocodilos e o leite derramado

e, repense, como quem quer existir

Dedicatória: aos descontentes de plantão e aos leitores do saite

Publicado em 24/01/2010 00:41:31 - 115 leituras